Gosto de dizer que trabalho com a liberdade e a felicidade de mulheres. Porém, trabalhar com liberdade e felicidade significa, antes de qualquer coisa, acolher as dores e os sofrimentos mais profundos que a socialização feminina no patriarcado pode provocar na vida dessas mulheres.
Transtornos alimentares e comportamento alimentar disfuncional. Pressão estética, gordofobia, problemas com o corpo, autoimagem, autoestima e autoconfiança. Síndrome da impostora, lógica de trabalho abusiva, exaustão pela rotina. Violência contra a mulher, relacionamento abusivo, carga mental invisível. Dependência emocional e financeira. Problemas e limitações quanto à própria sexualidade. Maternidade compulsória e romantizada. Cobrança extrema pela perfeição, culpa, julgamentos, necessidade de agradar e de ser validada. Preconceitos, opressões e desigualdades. Impossibilidade de realizar sonhos e de seguir o próprio desejo.
O significado de ser mulher em nossa sociedade vem sendo construído e reforçado há pelo menos 2.500 anos. Durante milênios, mulheres nascem e seguem um script que foi determinado a elas. Durante toda a nossa vida, ouvimos e somos ensinadas sobre como devemos ser, como devemos nos comportar, falar, qual caminho seguir.
O que você escolheu para a sua vida é genuinamente escolha sua ou você foi levada a escolher e acreditar que seria o melhor para você? E, principalmente: você está feliz com suas escolhas? Sente alguma sensação de liberdade com elas?
Eu, sinceramente, não acredito que exista alguma mulher que tenha consciência sobre si mesma e sobre o mundo em que vive e que se sinta 100% feliz e livre. Mas acredito plenamente que seja possível lutarmos e trabalharmos para que possamos ter ESCOLHAS. E, quem sabe, a partir delas, alcançarmos doses de liberdade e felicidade.